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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Projeto une grupos de Heliópolis e Amsterdã

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)
Companhia de Teatro Heliópolis
Começa hoje um workshop ministrado por Mike Van Alfen, diretor artístico do MC Theater (grupo holandês) que, assim como a anfitriã Companhia de Teatro Heliópolis, trabalha com integrantes pertencentes ao que, comumente, recebe a alcunha de “grupos em situação de risco”.

A ação faz parte de um projeto da Companhia de Teatro Heliópolis e financiado pelo MC Theater.

“Nós seremos responsáveis pelas passagens aéreas dos atores da Companhia Heliópolis. Estamos concorrendo às passagens pelo Ministério da Cultura”, comenta Miguel Rocha, diretor da CTH que concedeu entrevista exclusiva ao Aplauso Brasil e que você lê a seguir.

Aplauso Brasil - Quais os tipos de risco em que a situação de ambos os grupos se aproximam e se enquadram? Apenas social e econômica?


Miguel Rocha - A pesquisa das duas companhias são bem parecidas. A pesquisa teatral do MC se dá a partir de questões e temas sobre a identidade cultural da cidade e seus habitantes, globalização e imigração. A Companhia de Teatro Heliópolis vem desenvolvendo uma pesquisa sobre a origem dos seus habitantes. Heliópolis é uma das maiores favelas ao redor de São Paulo, com uma grande presença de migrantes do nordeste do Brasil. A Companhia de Teatro Heliópolis trabalha com jovens e muitos deles são de segunda geração de migrantes tentando encontrar sua própria identidade entre a cultura de seus pais e a cidade em que vivem.

Mike van Alfen
AB - Quais os tipos de depoimentos que serão valorizados e de que forma os ministradores buscam provocar os participantes para que isso ocorra?
Miguel Rocha - O MC trabalha com a ideia da cifra, onde todos os performers tem o mesmo peso na criação, usam uma estrutura chamada de Hora Final. Para coletarmos material colocamos os jovens numa situação fictícia onde eles teriam somente uma ou duas horas de vida e por certa situação, são obrigados a passar esta hora derradeira juntos e no palco. O que gostariam de dizer uns aos outros e ao público? Dividir um segredo, contar uma história de amor, levantar questões, confessar atos? E como gostariam de dizer isto? O que deixam para trás, o que levam? E o que significa a morte para eles nesta idade ( pois muitos são confrontados cedo com a morte)?

AB - Um dos pilares do método de criação de Pina Bausch em sua Tanztheater (dança-teatro) eram perguntas pessoais que os bailarinos respondiam com movimentos. Como são esperadas as respostas aos participantes do workshop?
Miguel Rocha - Os participantes serão desafiados a ter insights sobre onde estão e como se colocam no mundo, entender outras opiniões, ideias, estilos, materiais, e a achar uma forma final conjunta. Construir em conjunto a partir de seus próprios insights. Reconhecer e atuar, incorporar o passado mas agir no presente e para um futuro. Nossa experiência é de que este exercício teatral, abre para os jovens a possibilidade de pensarem sobre o próprio passado mas agir no presente para desenrolarem um futuro. Novamente a essência de nosso trabalho é empoderar jovens de situações menos favoráveis a construir positivamente seu futuro, saindo da posição de vítima que carrega um histórico dificultoso, para poder ser dono do presente.

AB - Como será vencida a barreira da diferença de idiomas?
Miguel Rocha - Teremos a tradutora Rose Akras, brasileira que mora na Holanda, que terá a função de intermediar o diálogo entre as duas companhias além de fazer preparação corporal dos atores em São Paulo.

AB - Quais as expectativas dos encontros em SP e Amsterdã (numa segunda etapa os brasileiros irão para a Holanda)?
Miguel Rocha - Esperamos que a troca entre as duas companhias dê mais frutos. O Mike diz que nunca fizeram um projeto assim num país onde as pessoas não falassem inglês, francês ou alemão, então, para ele, será um grande desafio.

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